A reposição de testosterona é indicada quando exames de sangue confirmam testosterona total abaixo de 264 ng/dL em duas coletas separadas, feitas entre 7h e 10h da manhã, associadas a sintomas como queda de libido, disfunção erétil, fadiga ou perda de massa muscular. No Brasil, o tratamento é feito por gel transdérmico ou injeção (cipionato, propionato ou undecilato de testosterona), sempre com receita de controle especial — a testosterona está na lista de substâncias anabolizantes da Anvisa. O custo mensal varia de cerca de R$ 75 (injeção de curta duração) a R$ 370 (gel), dependendo da apresentação.

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Sintomas de testosterona baixa

Os sintomas mais associados à queda de testosterona são queda de libido, disfunção erétil, fadiga persistente mesmo com sono adequado, perda de massa muscular apesar de treino regular, ganho de gordura corporal, alterações de humor e dificuldade de concentração.

Nenhum desses sintomas, isolado, aponta especificamente para testosterona baixa — todos têm outras causas possíveis, de distúrbio de tireoide a depressão a apneia do sono. É exatamente por isso que o diagnóstico depende de exame de sangue, e não só do quadro clínico.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico não se baseia em um único exame. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, seguindo a diretriz da Endocrine Society, exige testosterona total abaixo de 264 ng/dL confirmada em duas coletas separadas — sempre pela manhã, entre 7h e 10h, horário em que o hormônio está no pico natural.

O valor de referência considerado normal em homens adultos vai de 264 a 916 ng/dL. Abaixo disso, mas só combinado com os sintomas descritos acima, é que se fala em hipogonadismo. Exame baixo isolado, sem sintoma, não é indicação de tratamento por si só — e sintoma sem exame confirmatório também não justifica iniciar reposição.

Testosterona em gel: como funciona e o que esperar

O gel é aplicado diariamente na pele — ombros, braços ou abdômen —, e a absorção é contínua ao longo do dia. É a forma que mais se aproxima do padrão natural de liberação do hormônio, sem os picos e vales das injeções.

O ponto de atenção prático é a transferência por contato: a área aplicada precisa secar completamente — geralmente alguns minutos — antes de vestir a camisa, e o contato pele a pele com outras pessoas deve ser evitado por pelo menos algumas horas após a aplicação. O cuidado é maior com crianças: a FDA documentou casos reais de exposição não intencional em crianças de 9 meses a 5 anos, por contato com a pele de um adulto em tratamento, causando sinais de virilização — aumento dos genitais, pelos pubianos precoces, comportamento agressivo. Os sinais regridem na maioria dos casos após o fim do contato, mas a orientação de uso — deixar a área secar e cobrir com roupa antes de qualquer contato — existe justamente para evitar isso.

Testosterona injetável: cipionato, propionato ou undecilato

As três formas injetáveis mais usadas no Brasil se diferenciam pelo tempo de ação.

O propionato tem ação curta, exige aplicações mais frequentes. O cipionato tem ação intermediária, é a base do Durateston — na verdade uma mistura de quatro ésteres de testosterona, incluindo propionato e decanoato, aplicada a cada duas ou três semanas. Já o undecilato de testosterona (Nebido e genéricos) tem ação prolongada, com intervalo entre aplicações de até 12 semanas.

Forma Nome comercial comum Intervalo típico
Propionato / mistura de ésteres Durateston 2–3 semanas
Cipionato Deposteron 2–4 semanas
Undecilato Nebido 10–14 semanas

Na prática, essa diferença de duração influencia a escolha. O undecilato mantém o nível hormonal mais estável ao longo do tempo, sem os picos logo após a aplicação e vales antes da próxima dose — por isso costuma ser preferido para tratamento de longo prazo. Já a mistura de ésteres de ação curta às vezes é usada para iniciar o tratamento, porque qualquer efeito colateral inesperado passa mais rápido, já que a substância sai do organismo em poucas semanas em vez de meses.

Por que a receita de testosterona é retida na farmácia

A testosterona está na lista C5 da Portaria SVS/MS nº 344/98, a norma que regula substâncias anabolizantes no Brasil. Isso significa que a compra exige receita de controle especial, retida pela farmácia no ato da venda.

A receita tem validade de 30 dias. A quantidade prescrita não pode passar do necessário para 60 dias de tratamento — no caso do undecilato de testosterona, o limite é de 5 ampolas por receita.

Reposição de testosterona faz mal ao coração?

Essa dúvida vinha de estudos observacionais mais antigos, mas o estudo mais robusto já feito sobre o tema deu uma resposta melhor.

O TRAVERSE, publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 5.204 homens de 45 a 80 anos com hipogonadismo e risco cardiovascular preexistente por, em média, quase dois anos de tratamento. No desfecho principal — eventos cardíacos graves —, a testosterona não foi pior que o placebo: 7,0% contra 7,3%.

Mas alguns eventos específicos foram mais frequentes no grupo tratado: fibrilação atrial (3,5% contra 2,4%), lesão renal aguda (2,3% contra 1,5%) e embolia pulmonar (0,9% contra 0,5%). Os pesquisadores destacam que esses achados valem para o perfil estudado — homens de meia-idade e idosos, com hipogonadismo documentado e risco cardiovascular já existente —, não necessariamente para qualquer pessoa que use o hormônio.

Outros riscos: hematócrito, próstata e fertilidade

É normal? Em algum grau, sim — três efeitos aparecem com frequência suficiente para exigir acompanhamento de rotina, não são raridade.

Por que acontece? A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos, o que pode elevar o hematócrito e engrossar o sangue. Ao mesmo tempo, estimula o tecido prostático, por isso o PSA precisa ser acompanhado em homens acima de 40 anos ou com histórico familiar de câncer de próstata. E a testosterona vinda de fora desliga parte do eixo hormonal que comanda os testículos, reduzindo a produção própria do hormônio e de espermatozoides — o que pode causar atrofia testicular e infertilidade enquanto dura o tratamento.

Quando se preocupar? O acompanhamento padrão inclui hemograma e PSA repetidos entre 3 e 6 meses após o início, e depois periodicamente. Hematócrito acima do limite seguro costuma levar à redução de dose ou pausa do tratamento — por isso a automedicação com testosterona, sem esse monitoramento, é o cenário onde esses riscos realmente se concretizam.

Quanto custa a reposição de testosterona no Brasil em 2026

Produto Preço por unidade Intervalo Custo aproximado/mês
Durateston (ampola) R$ 42–65 2–3 semanas ~R$ 75–100
Undecilato genérico (ampola) R$ 294–447 10–14 semanas ~R$ 100–140
Nebido, marca (ampola) R$ 648–683 10–14 semanas ~R$ 210–220
Androgel, gel (tubo/mês) R$ 242–374 uso diário ~R$ 250–370

O custo por mês é uma aproximação, calculada a partir do preço da unidade dividido pelo intervalo típico de uso — pode variar conforme a dose prescrita, o peso do paciente e a farmácia. Vale sempre comparar preços e confirmar o valor atualizado no ato da compra.

Perguntas frequentes

Reposição de testosterona emagrece?

Não é essa a indicação nem o mecanismo principal. Em homens com hipogonadismo real, a reposição pode ajudar a preservar massa muscular e reduzir gordura visceral ao longo do tratamento, mas não é um recurso aprovado nem estudado como método de emagrecimento isolado.

Testosterona baixa tem cura, ou o tratamento é para sempre?

Depende da causa. Quando a origem é reversível — obesidade grave, apneia do sono não tratada, uso de certos medicamentos —, tratar a causa de base pode normalizar os níveis. Quando o hipogonadismo é primário (testicular) ou por dano permanente ao eixo hormonal, o tratamento costuma ser contínuo.

Quem não deve fazer reposição de testosterona?

Homens com câncer de próstata ou de mama diagnosticado não devem usar, porque a testosterona estimula esses tecidos. Quem tem policitemia não controlada (hematócrito já alto) ou quer preservar a fertilidade em curto prazo também precisa discutir alternativas com o médico, já que a reposição suprime a produção natural de espermatozoides enquanto dura o tratamento.

Posso comprar testosterona sem receita?

Não de forma legal. Por estar na lista de controle especial da Anvisa, a venda exige receita retida na farmácia — e o uso sem diagnóstico e acompanhamento médico é exatamente o cenário em que os riscos de hematócrito alto, problemas cardiovasculares e infertilidade mais aparecem.

Fontes consultadas

  • Hospital Sírio-Libanês. Medicamentos Controlados — Resumo Portaria 344/98. guiafarmaceutico.hsl.org.br
  • SanarMed. Testosterona total e livre: valores, indicações e interpretação clínica. sanarmed.com
  • Bhasin S et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (TRAVERSE). New England Journal of Medicine. nejm.org
  • Cleveland Clinic. TRAVERSE Study Supports Cardiovascular Safety of Testosterone Therapy When Used as Indicated. consultqd.clevelandclinic.org
  • CliqueFarma. Consulta de preços — Durateston, Undecilato de Testosterona e Testosterona Gel. cliquefarma.com.br
  • Food and Drug Administration. FDA Requires Label Change for Low Testosterone Drugs — exposição secundária de crianças ao gel de testosterona. accessdata.fda.gov

Sobre este conteúdo

Este artigo foi escrito e revisado por Clayton Luiz com base na Portaria SVS/MS nº 344/98, em critérios diagnósticos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, e no estudo TRAVERSE, publicado no New England Journal of Medicine. Preços verificados em agosto de 2026 — sujeitos a alteração; confirme sempre valores atualizados na farmácia e a orientação do seu médico antes de iniciar qualquer tratamento hormonal.

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